A polémica sobre a interferência da Rússia nas eleições norte-americanas

Rússia terá influenciado eleições nos EUA com anúncios no Facebook


A polémica sobre a interferência da Rússia nas eleições norte-americanas que deram a vitória a Trump continua a dar pano para mangas. Centenas de contas de Facebook russas compraram anúncios publicitários de política no valor de cerca de 84 mil euros.

A revelação foi feita esta quarta-feira pela empresa de Mark Zuckerberg, que identificou a compra no valor de cem mil dólares de mais de anúncios de Facebook, por parte de uma empresa fantasma ligada ao Kremlin, que operava a partir das várias contas.

O conteúdo dos anúncios, revela o "The New York Times", recaía sobre assuntos polémicos da vida política e social dos EUA, e a sua compra ocorreu durante a campanha eleitoral.

De acordo com Alex Stamos, chefe do Departamento de Segurança da empresa, mais de três mil anúncios não se referiam, em particular, aos candidatos presidenciais, mas sim a assuntos de polarização da sociedade. Servem de exemplo anúncios sobre questões raciais, direitos da comunidade LGBT (Lésbica, Gay, Bissexual e Transexual), controlo de armas e imigração, temas várias vezes falados por Trump nos seus discursos, que reuniram apoiantes à direita.

Os anúncios, ativos entre junho de 2015 e maio de 2017, estavam ligados a 470 contas e páginas falsas, que a rede social encerrou.

Segundo o jornal norte-americano, que cita fontes oficiais do Facebook, as contas foram criadas por uma companhia russa chamada "Internet Research Agency" (Agência de Investigação da Internet), que usa contas criadas com o propósito de causar determinadas reações e opiniões, através de publicações e comentários nas redes sociais.

O Facebook não tornou público nenhum dos anúncios publicitários nem deu qualquer informação sobre o número de pessoas que os viu.

A revelação reacende a polémica que envolve a influência da Rússia na campanha norte-americana, que, segundo concluíram relatórios dos serviços de inteligência, foi desenhada, com ordens diretas do presidente Putin, para perturbar a imagem de Hillary Clinton e exaltar a de Donald Trump.

No entanto, não há, até à data, provas de que o então candidato republicano tivesse um conluio com a Rússia para aquele efeito.

Os comités de inteligência do Senado e da Câmara dos EUA, que estão a investigar a intervenção russa nas eleições, foram informados do caso, esta quarta-feira, Facebook, que continuará a cooperar com as autoridades, mediante a necessidade.

Source: jn.pt