Nas primeiras horas do dia, o cenário em São Bartolomeu,

″Pensava que ia morrer″, conta ao JN português que sobreviveu ao furacão


Nas primeiras horas do dia, o cenário em São Bartolomeu, uma das ilhas afetadas pelo Irma, na quarta-feira, é devastador. Casas destruídas, estradas bloqueadas e falhas de eletricidade.

O que há uns dias era um verdadeiro paraíso, virou cenário de filme de terror. Luís Carlos e Pedro Miguel, dois portugueses de Castelo de Paiva, contam ao JN como viveram a passagem do Irma.

"Para nos protegermos, tivemos que nos fechar no interior do quarto, com uma cama. Tivemos que segurar as paredes e as janelas", conta Pedro Miguel. O furacão Irma atingiu aquela zona das Caraíbas com uma intensidade nunca antes vista, sendo já considerado o furacão mais violento a abater-se sobre o Atlântico. "Pensávamos que íamos morrer. Foi um desespero total", relata Luís Carlos, que viu a casa onde morava ser "completamente destruída".

Tal como os dois jovens, há milhares de portugueses a viver e trabalhar naquela zona. Incontactáveis desde quarta-feira de manhã, os familiares e amigos em Portugal pouco sabem sobre o que se passou na última madrugada. Christina Silva, de S. Mamede de Infesta, conseguiu esta tarde, cerca das 16 horas portuguesas, falar com os dois filhos que estavam incontactáveis desde terça-feira à noite.

"Dizem que estão bem, apesar de ter entrado água em casa", contou Christina Silva, ao JN. Segundo os filhos, que ligaram de um telefone emprestado, "há quem tenha perdido tudo" à passagem do furacão.

Apesar da noite de assombro, Pedro disse ao JN que não tem conhecimento de algum português ferido na sequência do furacão. "Sei que há desalojados e que houve um português que teve que se esconder no interior de um poço para sobreviver. Mas não tenho qualquer conhecimento de feridos ou vítimas", revela Pedro Miguel.

Rasto de destruição visível em toda a parte

As primeiras horas da manhã foram passadas a limpar as estradas e a arrumar objetos que voaram devido à violência do furacão. "Na rua ficou tudo completamente destruído", explica Luís. O "olho" do ciclone, com cerca de 50 quilómetros de diâmetro, permaneceu cerca de uma hora e meia sobre São Bartolomeu.

O furacão, da dimensão da França, tinha atingido antes a ilha de Barbuda, acompanhado por ventos que atingiram os 295 quilómetros por hora, segundo o centro norte-americano de furacões, destruindo totalmente esta ilha.

A intempérie forçou o avião que transportava o papa Francisco para a Colômbia a alterar o seu plano de voo."Os prejuízos materiais já são importantes", declarou Annick Girardin, ministra dos territórios ultramarinos francesa.

Sem comunicações e com pouca comida

Ainda é cedo para se conhecer a real dimensão dos estragos provocados pela passagem do Irma em São Bartelomeu, mas há a certeza de que as comunicações a alimentação estarão condicionadas. "Não vamos ter energia elétrica durante o próximo mês e as comunicações são escassas porque está tudo completamente destruído", conta Pedro. "É um verdadeiro caos", acrescenta Luís.

Mesmo em termos de alimentação, os próximos dias vão ser diferentes do conforto a que estavam habituados naquela zona, frequentada por milhares de turistas, que procuram as praias e o bom tempo, e que agora enfrentam um cenário desolador. "Nos supermercados já estão a limitar a venda de produtos, para que todas as pessoas possam ter alimentos. Vamos ter de poupar na alimentação porque só há enlatados. O aeroporto foi fechado e os barcos não chegam aqui", conclui Pedro.

* com Rita Salcedas

Source: jn.pt